Como escrever um guião de chamada?
A sua equipa tem um guião de chamada. Alguns operadores leem-no tal como está escrito, e os clientes notam. Os outros já nem olham para ele e dizem tudo à sua maneira.
Escreva como as pessoas falam
O Rui liga à Sofia Martins e lê-lhe o guião que veio da sede.
Rui: «Bom dia, o meu nome é Rui e estou a ligar do Serviço de Apoio ao Cliente da [empresa], relativamente ao seu contrato de manutenção, número 20-41-77. Segundo os nossos registos, chegou o prazo para a realização da inspeção anual do seu sistema de alarme. A inspeção regular assegura o correto funcionamento de todos os sensores e contribui para prevenir falsos alarmes. O valor da taxa de inspeção ascende a 79,00 €. Poderia fazer o favor de confirmar se pretende agendar uma inspeção, qual o dia e a hora que lhe seriam mais convenientes e se a morada de instalação constante dos nossos registos se mantém correta?»
Sofia: «Do que se trata?»
O Rui volta ao princípio da folha e lê tudo outra vez, um pouco mais depressa.
A Sofia ouviu cerca de 30 segundos de número de contrato, taxa e perguntas, e mesmo assim teve de perguntar do que se tratava. O Rui disse exatamente o que a folha lhe mandava dizer.
O Rui é um dos quatro operadores da equipa da Helena. A [empresa] instala alarmes em casas e em pequenas lojas e faz a respetiva manutenção, e a equipa liga aos clientes para marcar a revisão anual, uma visita paga de um técnico. As pessoas, as chamadas e os números deste artigo são um exemplo, não dados reais.
Um guião de call center como este escreve-se à secretária, por quem nunca o vai dizer ao telefone, e por isso o que sai é uma carta.
Um guião de chamada que funciona escreve-se para ser dito, não para ser lido. Tem os passos da chamada por ordem, para que serve cada um, uma pergunta por fala e as respostas que os clientes dão de facto, cada uma com a frase seguinte do operador. Só as frases que não podem mudar são ditas palavra por palavra, e no guião novo da Helena são duas, o preço e a confirmação. Constrói-se a partir de chamadas gravadas e testa-se antes de a equipa toda o usar.
Porque deixam de usar o guião?
Os técnicos foram os primeiros a notar. Os clientes só ficavam a saber o preço à porta, por isso a Helena, coordenadora da equipa, voltou a ouvir 30 chamadas gravadas do mês passado, dos quatro operadores.
Em 8 das 30, o operador leu o guião tal como estava escrito, e em 6 dessas 8 as primeiras palavras do cliente foram «Do que se trata?» ou uma pergunta parecida.
Nas outras 22, o operador disse uma versão mais curta, à sua maneira. Essas chamadas soavam melhor, mas cada operador tinha a sua versão, e em 9 delas o preço nem chegou a ser dito.
Os dois hábitos vêm da mesma folha. Quem a lê soa a leitura, porque é isso mesmo que está a fazer, e os outros refazem a chamada de memória e perdem frases como a do preço. Antes de reescrever o seu guião, ouça chamadas recentes de todos os operadores à procura dos dois hábitos.
O que deve ter um guião de chamada?
A Helena pôs o guião antigo de lado e perguntou o que tinha de acontecer, e por que ordem, para o cliente ficar com uma visita marcada num dia em que esteja em casa, sem surpresas à porta. Ficaram quatro passos, numa folha que o operador consegue consultar de relance durante a chamada.
| Passo | Para que serve | O que o operador diz |
|---|---|---|
| Apresentação e motivo | A Sofia sabe quem está a ligar e porquê | «Dona Sofia, fala o Rui, da [empresa]. Já faz um ano que fizemos a revisão ao seu alarme, por isso está na altura da próxima. Podemos passar aí para a semana?» |
| Dia e hora | Uma visita num dia em que a Sofia está em casa | «Temos terça ou quinta de manhã. Qual lhe dá mais jeito?» |
| Morada e preço | A porta certa e nenhuma surpresa no preço | «Continua a ser na Rua do Parque, 14?» Depois, palavra por palavra: «A revisão custa 79 euros, tal como no ano passado.» |
| Confirmação e despedida | A Sofia volta a ouvir o dia, a hora e a morada | Palavra por palavra: «Então fica marcado para quinta, entre as oito e as doze, na Rua do Parque, 14. O técnico liga-lhe cerca de 30 minutos antes.» Depois, esperar que ela se despeça. |
Estas frases são para a Sofia, e com cada cliente mudam o nome, o dia e a morada. O Rui começa por confirmar que fala com a pessoa certa: «Bom dia, falo com a dona Sofia Martins?»
Se a sua equipa faz chamadas a frio, a primeira fala dessas chamadas é um assunto à parte, tratado no nosso artigo sobre como abrir uma chamada a frio.
A Helena só fixou duas frases, ditas palavra por palavra. Uma é a do preço, que faltou em 9 das 22 chamadas em que os operadores usaram as suas próprias palavras. A outra é a confirmação, porque o cliente tem de ouvir o dia, a hora e a morada com exatidão, e da mesma maneira em todas as chamadas.
O resto é um objetivo com uma frase para começar. Se o Rui perguntar «Que dia é melhor para si?», o passo Dia e hora cumpre na mesma o seu papel, e ele continua a soar como ele próprio.
Como deve soar uma frase ao telefone?
Aqui ficam quatro frases do guião antigo e o que a Helena escreveu no lugar delas.
| Guião antigo | Guião novo |
|---|---|
| «Estou a ligar do Serviço de Apoio ao Cliente da [empresa], relativamente ao seu contrato de manutenção, número 20-41-77.» | «Fala o Rui, da [empresa]. Já faz um ano que fizemos a revisão ao seu alarme, por isso está na altura da próxima.» |
| «O valor da taxa de inspeção ascende a 79,00 €.» | «A revisão custa 79 euros, tal como no ano passado.» |
| «Poderia fazer o favor de confirmar se pretende agendar uma inspeção, qual o dia e a hora que lhe seriam mais convenientes e se a morada de instalação constante dos nossos registos se mantém correta?» | Três falas: «Podemos passar aí para a semana?», «Qual lhe dá mais jeito?», «Continua a ser na Rua do Parque, 14?» |
| «A sua inspeção encontra-se confirmada para 12 de novembro de 2026, das 08:00 às 12:00, na morada de instalação constante dos nossos registos.» | «Então fica marcado para quinta, entre as oito e as doze, na Rua do Parque, 14.» |
Com três perguntas de uma vez, o cliente responde à última que ouviu, ou a nenhuma. A Sofia perguntou do que se tratava. No guião novo são três falas, com uma pergunta cada.
Antes de pedir para marcar, o Rui dá à Sofia um motivo que ela entende: já faz um ano que o alarme dela foi revisto. Um número de contrato não lhe diz nada. Corte os motivos que só interessam à empresa, como «para eu atualizar os nossos registos», e fique com os que ajudam o cliente, como o técnico ligar cerca de 30 minutos antes.
Diga os dias, as horas e os preços como as pessoas os dizem: quinta, «entre as oito e as doze», «79 euros». Planeamos a semana pelo nome do dia, por isso o Rui deixa a data de fora. Os números de telefone dizem-se em grupos pequenos de algarismos. Use as palavras do cliente, «revisão» e «visita», onde o guião antigo dizia «inspeção» e «agendar». Expressões como «relativamente a», «ascende a» e «constante dos nossos registos» só dizem ao cliente que o operador está a ler.
Cada frase do guião novo cabe num só fôlego, ao contrário da última frase do guião antigo. Se uma frase pede um segundo fôlego, faça duas. Quando o cliente não acompanha, não volte a ler a frase, um pouco mais depressa, como fez o Rui. Diga-a em menos palavras: «É sobre o seu alarme. Está na altura da revisão anual.»
A chamada nova correu assim.
Rui: «Bom dia, falo com a dona Sofia Martins?»
Sofia: «Sim, sou eu.»
Rui: «Dona Sofia, fala o Rui, da [empresa]. Já faz um ano que fizemos a revisão ao seu alarme, por isso está na altura da próxima. Podemos passar aí para a semana?»
Sofia: «Está a funcionar bem. Precisa de revisão?»
Rui: «Agora está a funcionar, e a revisão serve para ele continuar assim. O técnico testa todos os sensores e a bateria. Quer que lhe reserve uma manhã para a semana?»
Sofia: «Está bem. Que dias têm?»
Rui: «Temos terça ou quinta de manhã. Qual lhe dá mais jeito?»
Sofia: «Quinta.»
Rui: «Continua a ser na Rua do Parque, 14?»
Sofia: «Sim.»
Rui: «A revisão custa 79 euros, tal como no ano passado.»
Sofia: «Pode ser.»
Rui: «Então fica marcado para quinta, entre as oito e as doze, na Rua do Parque, 14. O técnico liga-lhe cerca de 30 minutos antes.»
Sofia: «Ótimo, obrigada. Até logo.»
Rui: «Obrigado, dona Sofia. Até logo.»
Conte os pontos de interrogação: nenhuma fala do Rui tem mais de um. Ele responde à pergunta da Sofia sobre a revisão antes de voltar à marcação, e despede-se depois dela.
Que respostas merecem uma frase?
Nas mesmas 30 chamadas, a Helena anotou o que cada cliente disse quando o operador falou da marcação, a pergunta que agora é «Podemos passar aí para a semana?»
| O cliente disse | Chamadas | A frase seguinte do operador |
|---|---|---|
| «Sim, que dias têm?» | 13 | «Temos terça ou quinta de manhã. Qual lhe dá mais jeito?» |
| «Precisa de revisão?» | 8 | «Agora está a funcionar, e a revisão serve para ele continuar assim. O técnico testa todos os sensores e a bateria. Quer que lhe reserve uma manhã para a semana?» |
| «Podem vir depois do trabalho?» | 4 | «A nossa última visita do dia começa às cinco. Terça às cinco está livre. Posso marcar?» |
| «Ligue-me para o mês.» | 3 | «Com certeza. Que dia e hora lhe dão mais jeito?» |
| Outra coisa | 2 | O operador responde com as suas palavras e volta à pergunta da marcação. |
| Total | 30 |
Quatro respostas surgiram três vezes ou mais e cobrem 28 das 30 chamadas. As três primeiras acabam em Visita marcada quando o cliente aceita um dia, e «Ligue-me para o mês» acaba em Retorno marcado.
«Precisa de revisão?» surgiu em 8 das 30 chamadas. O guião antigo dava essa resposta, mas a meio de uma primeira fala de 30 segundos, antes de alguém perguntar, e ali ninguém a ouvia. Quando os clientes perguntavam, cada operador inventava a sua resposta. Agora o guião tem uma.
As outras duas foram casos únicos, uma pergunta sobre acrescentar uma câmara e um cliente que ia mudar de casa. Um guião que tenta cobrir todas as respostas volta a ser a carta, por isso essas ficam com o operador.
Como se testa um guião novo?
Antes de alguém experimentar o guião novo com um cliente, a Helena e o Rui leram-no em voz alta um ao outro, com a Helena no papel de cliente e as quatro respostas das gravações. No papel, o guião antigo parecia bom, mas a primeira fala demorava cerca de 30 segundos a dizer, e a do guião novo menos de dez.
Depois, durante um dia, só o Rui usou o guião novo, e a Helena ouviu as primeiras 12 chamadas dele. Nenhum cliente perguntou do que se tratava, e o preço foi dito em todas. Três clientes perguntaram quanto tempo demora a revisão, por isso a confirmação ganhou mais uma frase: «A revisão demora cerca de uma hora.» A confirmação continua a ser uma das duas frases ditas palavra por palavra.
A equipa toda começou a usar o guião na semana seguinte. Todos os meses, a Helena volta a ouvir 30 chamadas. Uma resposta que se repete ganha uma frase, e uma frase de que ninguém precisa sai. Ela muda uma frase de cada vez, para saber o que cada mudança fez.
Onde entra a DRING?
A DRING faz o mesmo tipo de trabalho para agentes de IA. No Agent Factory, esse trabalho parte das suas chamadas gravadas e do seu processo, e as respostas dos seus clientes tornam-se testes, em 1 000 a 10 000 conversas simuladas, criadas para a sua empresa, antes da primeira chamada real. A sua equipa nunca escreve um prompt.
Depois do arranque, as chamadas reais mostram o que mudar a seguir, e cada alteração só é lançada depois de passar nos testes e de ter a sua aprovação. Quando um cliente quer que lhe liguem no próximo mês, o Reach liga à hora que ele pediu.
Comece pela chamada mais frequente
Deixe o seu número e a DRING liga-lhe em dois minutos, para ouvir um agente no seu telemóvel. O agente pergunta-lhe pela chamada que os seus operadores mais fazem e pelo guião que usam hoje, e a nossa equipa dá seguimento.